Trabalhador obteve aumento no valor da indenização após ficar cego

Um trabalhador obteve aumento no valor da indenização após ficar cego, a decisão unânime foi tomada pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho que aumentou de R$ 10 mil para R$ 40 mil o valor da indenização a ser paga pela empresa Polo Design Indústria e Comércio de Móveis Estofados, de Maringá (PR). A decisão considerou que os critérios adotados pelas instâncias inferiores para a fixação do valor foram subdimensionados, em relação a critérios como: gravidade do acidente, conduta e capacidade econômica da empresa, extensão do dano e caráter punitivo e pedagógico da condenação.

O trabalhador perdeu a visão do olho esquerdo e a força da mão direita no acidente com uma máquina de polir peças. No seu depoimento ele contou que ao operar a politriz, usava luvas velhas e cheias de substâncias que a tornavam escorregadia e insegura, como sebo animal e parafina, aplicados na peça a ser polida. Foi assim que a peça escorregou, girou e atingiu a mão direita e o lado esquerdo do rosto, causando corte no couro cabeludo, perda de 99% da visão do olho esquerdo e da força de apreensão da mão direita. Para ele, a culpa pelo acidente foi da empresa, pois no dia pediu luvas novas e não foi atendido, nem recebia equipamento de proteção (capacete e viseira) que poderiam evitá-lo. A Polo, em sua defesa, afirmou que fornecia os EPIs e instruções para uso das máquinas.

Com os depoimentos, o juízo da 2ª Vara do Trabalho de Maringá decidiu de que a Polo foi negligente ao permitir que o polidor operasse máquina de alto risco com luvas escorregadias e sem treinamento, consentindo uma indenização no valor de R$ 10 mil. E o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) manteve o valor por julgar razoável, mesmo reconhecendo a grave limitação física, com redução da força de trabalho, abalo psíquico e emocional do trabalhador.

O que não aconteceu no TST. O relator do recurso, desembargador convocado Marcelo Lamego Pertence, observou que, em regra, não cabe ao Tribunal rever valoração das instâncias ordinárias, mas no caso o Tribunal Regional, ao manter o valor de R$ 10 mil, não observou os critérios de razoabilidade e proporcionalidade. “O inquestionável dano causado pelo acidente, a gravidade da conduta empresarial (ausência de treinamento do empregado e inexistência de dispositivo de segurança no equipamento), a extensão do dano, a capacidade econômica da empresa e, ainda, o caráter punitivo e pedagógico da condenação autorizam a condenação ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 40 mil”, concluiu.

 

As informações são da Secretaria de Comunicação Social Tribunal Superior do Trabalho

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